Soldagem à temperatura ambiente

Você sabia que já é possível soldar* dois materiais metálicos sem calor? Pesquisadores da Iowa State University, nos EUA, desenvolveram um método bastante interessante, o qual funciona como uma espécie de cola metálica. Para isso, partículas minúsculas de metal são resfriadas abaixo de sua temperatura de fusão e impedidas de solidificar, entrando em um estado de metaestabilidade conhecido como super-resfriamento. No entanto, as partículas procuram atingir seu estado de menor energia, que para as temperaturas e pressões em que se encontram, é o estado sólido, e não líquido. Dessa forma, assim que sofrem uma perturbação externa intensa o suficiente, as gotículas tornam-se sólidas. Os cientistas aproveitaram-se desse fenômeno para fazê-las solidificar na junta entre dois metais, permitindo a união dos mesmos sem a necessidade de aquecimento ou fusão.

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Alumínio tem problemas com corrosão?

Provavelmente você nunca olhou realmente para um pedaço de alumínio. Isso porque o material é extremamente reativo e, em contato com o ar, reage instantaneamente formando uma película de óxido sobre sua superfície. Isto é o que você de fato vê. No entanto, apesar de extremamente reativo, o alumínio apresenta uma elevada resistência à corrosão devido a um fenômeno chamado passivação. Basicamente, o alumínio fica mais nobre (menor atividade) por ação desta película óxida, que tem uma boa aderência à superfície e acaba impedindo que um volume maior do material seja corroído.  No entanto, se engana quem acha que a passivação torna o alumínio imune à corrosão. Veremos hoje diversas situações em que a mesma pode ocorrer.

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Curiosidades sobre as medalhas olímpicas

Há dois meses começavam os jogos olímpicos do Rio de Janeiro, trazendo as atenções do mundo para o país e também fortes emoções ao povo brasileiro. O que muitos não perceberam, no entanto, é que por trás de todas as competições que emocionaram o mundo, participava também silenciosamente uma grande conhecida de todos nós. Seja na roupa dos nadadores, nos remos da canoagem, nas bicicletas dos velozes ciclistas, nas raquetes dos jogadores de tênis, e, é claro, no pescoço dos campeões, estava lá presente a engenharia de materiais.

As tão desejadas medalhas apresentaram nessa edição das olimpíadas algumas inovações interessantes. Sendo as mais pesadas da história das olimpíadas, as medalhas pesavam aproximadamente 500 gramas e tinham grande presença de materiais reciclados. Além de serem sustentadas por tiras poliméricas feitas com 50% de material proveniente da reciclagem de garrafas plásticas, os metais em si também eram em parte provenientes de reciclagem e o ouro foi minerado sem o uso de mercúrio, um grande poluente. Nos jogos paralímpicos, elas também surpreenderam: continham esferas metálicas em seu interior para que os deficientes visuais pudessem não só tocá-las, mas também ouvi-las. A quantidade diferente de esferas, de acordo com o tipo de medalha, fazia com que possuíssem ruídos característicos que as identificasse, sendo este maior quanto melhor a posição do atleta. Conheça-as na reportagem abaixo e confira como o processo pelo qual passam as medalhas até a chegada ao pódio.

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Uma nova forma de encarar a metalurgia

A maior parte dos materiais metálicos é produzida por meio de fundição, na qual há o fornecimento de uma grande quantidade de energia e posterior derretimento do minério que irá dar origem ao metal em questão. Até que elevados graus de pureza sejam atingidos, o material deve passar por mais e mais processos que irão elevando significativamente seu preço final. Além disso, durante o processo há a eliminação para o ambiente de diversos gases que contribuem para o efeito estufa. E se houvesse um processo que dispensasse os gastos energéticos elevados de uma fundição, não produzisse gases de efeito estufa e em uma única etapa transformasse a matéria-prima mineral em metal de elevada pureza?

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Reciclagem de isopor: mito ou verdade?

O popular isopor é o nome comercial de dois tipos de polímeros, o EPS (poliestireno expandido) e o XPS (poliestireno extrudado), os quais estão muito presentes em nosso dia a dia. O EPS é comumente utilizado como embalagens protetoras de equipamentos, isolante acústico e em brinquedos, por exemplo no preenchimento de ursos de pelúcia. Já o XPS, uma espuma mais rígida, é mais utilizado na indústria alimentícia, especialmente para a fabricação de bandejas e copos. Apesar do contato diário com este material, apenas 7% dos brasileiros sabem que o isopor é 100% reciclável, mostram os dados da empresa paulista Meiwa. Isso faz com que a maior parte das aproximadamente 60 mil toneladas anuais que são produzidas no Brasil seja enviada aos aterros sanitários. Imagine o quão leve é um isopor e tente mensurar o volume que todo esse material irá ocupar nos aterros! Uma dica? Aproximadamente 25% do volume total desses locais!

Se o material causa tamanho impacto ambiental e é reciclável, por que então sua reciclagem ainda não é consolidada?

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Como processar polímeros que têm elevada temperatura de fusão

O setor de Engenharia de Plásticos é um dos que mais cresce segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST). No Brasil existem cerca de 11500 empresas que operam no setor de plásticos, mas a tendência é que esses números aumentem ainda mais com o crescimento de áreas como construção civil, embalagens, automobilística, alimentos, calçados, cosméticos e agricultura, aponta o professor Msc. José Mauro Diniz Oliveira das Faculdades Oswaldo Cruz (FOC). Assim, de acordo com a importância do setor, veremos hoje algumas dicas de processamento de polímeros, mais especificamente termoplásticos com elevada temperatura de fusão.

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Novos materiais termoelétricos de elevada eficiência são descobertos

Os materiais termoelétricos têm a interessante de característica de transformar diferenças de temperatura em energia elétrica, devido a um fluxo de elétrons que acontece das áreas mais quentes para as mais frias. Para isso, o material precisa ser simultaneamente bom condutor de eletricidade e mau condutor de calor, já que precisa possuir um fluxo de elétrons significativo e também manter a diferença de temperatura pelo maior tempo possível. Materiais com essas características não são tão facilmente encontrados, já que normalmente os dois tipos de condutividade andam juntos. Assim, normalmente é preciso recorrer a materiais caros ou até mesmo tóxicos para desempenhar essa função na indústria. Além disso, a eficiência na conversão de energia é, no geral, não muito elevada.

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Participação brasileira no desenvolvimento de telas biodegradáveis para eletrônicos

O Brasil, segundo dados da Teleco (out/2014), possui mais telefones celulares do que pessoas, apresentando uma proporção de 1,37 aparelhos por habitante. Os usuários de celulares trocam seus aparelhos em média a cada 22 meses, o que totaliza aproximadamente 153 milhões de aparelhos descartados por ano, isso apenas no Brasil. Com base nesses dados, vemos que o desenvolvimento de eletrônicos biodegradáveis é cada vez mais fundamental, e nossos pesquisadores estão ajudando a tornar isso possível: Wendel Alves, Thiago Cipriano (UFABC) e Eudes Fileti (USP) participaram de um grupo de pesquisa que conseguiu desenvolver OLEDs (LEDS orgânicos) de cor azul para as telas.

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Como conservar alimentos sem refrigeração?

Você costuma ir ao supermercado? Uma boa parte do tempo é dedicada a escolher as melhores frutas e verduras dentre as oferecidas, pois nem todas estão nas boas condições que esperamos. Você já parou pra refletir o percentual desses vegetais que são desperdiçados? De acordo com a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), metade deles nem chega às prateleiras do supermercado, se deterioram no caminho entre a lavoura e o consumidor. Considerando as dificuldades envolvidas na produção de alimentos, como a ocupação de terras, uso de agrotóxicos, demanda de água, fertilizantes, susceptibilidade a pragas ou intempéries, é mesmo uma pena que metade dos alimentos “bem-sucedidos” do campo seja simplesmente perdida assim.

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Elastômeros termoplásticos

Hoje falaremos sobre os elastômeros termoplásticos, que surgiram na década de 70 e devido a suas inúmeras vantagens em relação aos elastômeros convencionais, começaram a ser produzidos em grande escala desde então. Esses polímeros surgiram a partir da busca por menor densidade, menor custo de produção, maior produtividade, fácil adição de cor, reciclabilidade e melhor processabilidade em termos de elastômeros. Tudo isso pôde ser encontrado nos elastômeros termoplásticos, que podem ser moldados por uma ampla gama de processos, como injeção, extrusão, termoformação, moldagem, sopro e ainda por cima apresentam uma melhor adesão aos demais polímeros termoplásticos, permitindo a sobremoldagem com esses materiais. No entanto, esses elastômeros também apresentaram algumas perdas de propriedade em relação aos seus precursores, tais como menores resistência à temperatura, resistência química, flexibilidade e recuperação após a compressão.

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