Você realmente conhece o Teflon?

No final dos anos 30 foi inventado pelo americano Roy J. Plunkett o politetrafluoretileno (PTFE), mais conhecido como Teflon e registrado pela companhia DuPont. Por mais que nós conheçamos ele geralmente por sua função antiaderente nas nossas panelas, a sua primeira aplicação foi bem diferente: A indústria bélica.
Durante a Segunda Guerra Mundial designers procuravam um material que fosse resistente aos componentes corrosivos das bombas e para essa aplicação eles utilizaram o PTFE. Apenas em 1954 dois engenheiros franceses descobriram que panelas revestidas desse material faziam com que a comida não grudasse nelas. Hoje, o Teflon possui inúmeras aplicações, como por exemplo na odontologia na área de regeneração óssea e tecidual e na medicina em forma de próteses. Além disso, pode ser utilizado para a fabricação de eletrodos e para a impermeabilização de tecidos.
2
Para entender como esse material possui a propriedade antiaderente, temos que olhar primeiramente a sua estrutura química. O monômero do polímero, representado na figura abaixo, nos mostra que ao longo de todas as cadeias do PTFE existem apenas átomos de carbono e flúor.
3
A forte ligação entre esses dois átomos pode ser explicada pela alta eletronegatividade do flúor.
Mas o que é eletronegatividade mesmo? Quando um átomo é muito eletronegativo há uma grande atração de elétrons por seu núcleo.
Através da tabela periódica abaixo, vemos que o flúor é o elemento mais eletronegativo. Por essa razão, as forças elétricas envolvidas nas moléculas, conhecidas como forças de Van der Waals, fazem com que os compostos contendo flúor repilam quaisquer átomos que se aproximem.
Por isso, é um material com grande estabilidade química em baixas temperaturas e que possui um dos menores coeficientes de atrito.
1
Uma das grandes discussões hoje em questão é a toxicidade ou não do material. Sabemos que a pirólise do Teflon começa por volta de 220°C, porém cientistas acreditam que só fará mal à saúde se a temperatura em que o produto é exposto for maior do que 250°C. A pirólise gera alguns gases tóxicos como produtos da reação, alguns deles estão nessa lista. Esses podem ter diversos efeitos nos seres humanos e nos outros animais e podem até mesmo parecer com sintomas semelhantes aos do vírus da gripe.
Para termos uma noção, a carne é frita entre 200-232ºC e o ponto de fumo da maioria dos óleos é antes de 260°C. Por isso, é muito importante sabermos quais materiais podemos e não podemos usar em certas situações do nosso dia.
Compartilhar Matéria:

Ligas com Efeito de Memória de Forma (LEMF)

Oi, galera!
Vocês já ouviram falar de materiais com propriedade de memória de forma? O curioso fenômeno ocorre em algumas ligas de ouro-cádmio, cobre-zinco, mas é conhecida principalmente em uma liga denominada nitinol, a qual é composta por níquel e titânio.
O efeito de memória de forma permite que o material seja deformado plasticamente e quando aquecido volte instantaneamente à sua forma original, como mostra o vídeo.

É impressionante! As aplicações desses materiais são inúmeras, partindo das áreas de robótica e biomecânica até as indústrias naval, nuclear, aeronáutica e automobilística.

Como funciona o efeito de memória de forma? O que as ligas com efeito de memória de forma têm em comum que lhes confere esse comportamento? Uma transformação de fases! Basicamente, quando se encontram à temperatura ambiente as ligas apresentam uma fase monoclínica denominada martensita. O aumento da temperatura, no entanto, diminui a estabilidade da fase martensítica e seus cristais adquirem forma cúbica, caracterizando uma nova fase, a qual é denominada austenita. A temperatura que marca a transição entre essas fases é conhecida por temperatura de transformação. O principal fator para a ocorrência da memória de forma é a capacidade da fase martensítica de sofrer maclação. Dessa forma, ao aplicar-se uma força externa, o material é deformado plasticamente sem que haja ruptura das ligações entre átomos e, consequentemente, sem ocasionar danos permanentes à sua estrutura. Isso permite que, quando o material for aquecido acima de sua temperatura de transformação, sua fase martensítica seja convertida em austenita, a qual apresentará a mesma estrutura que possuía antes de o material sofrer qualquer deformação, visto que a martensita não foi modificada permanentemente. A Figura abaixo esquematiza o que foi explicado até então.

mecanismo memória de forma

O fato de a estrutura austenítica ser “memorizada”, ainda que a liga sofra deformações em temperaturas mais baixas, explica não somente o mecanismo do efeito de memória de forma como também o porquê do nome escolhido para o fenômeno. O video abaixo mostra alguns experimentos realizados com a liga Nitinol. Observa-se, ao final do vídeo, que para alterar a forma a que o material retoma ao ser aquecido, o mesmo deve ser conformado em temperaturas elevadas para apresentar fase austenítica, visto que essa é a fase responsável pela memorização.

Espero que tenham gostado. Até a próxima!

Compartilhar Matéria: