Por que as teias de aranhas são tão resistentes?

Quando eu tinha uns 8 anos de idade cheguei impressionada contando para uma amiga minha que as teias de aranhas eram consideradas um material mais resistente que os aços, então ela acabou com todo o meu entusiasmo com uma simples pergunta: “Mas como elas podem ser tão resistentes se consigo destruí-las apenas passando a minha mão sem esforço algum?”
Bom, naquela época eu nem sabia o que era a engenharia e ciência de materiais e nem fazia ideia de como responder aquela pergunta. Mas hoje com o pouco conhecimento que tenho tentarei responde-la!
O que eu descobri foi que um fio de teia de aranha é inúmeras vezes mais forte do que o aço, se considerarmos a força resistida em relação ao seu peso. Porém, um fio tem cerca de um décimo do diâmetro de um fio de cabelo, então se a teia tivesse o diâmetro próximo ao de um lápis, provavelmente esse material conseguiria parar um Boeing em pleno vôo.
E qual exatamente é o material que a compõe?
A teia é um co-polímero anfifílico (ou seja, possui fragmentos hidrofóbicos e hidrofílicos) constituido de duas proteínas, cada uma contendo três regiões que fornecem ao material diferentes propriedades. Uma dessas regiões é amorfa que fornece a propriedade de elasticidade para a teia, assim quando um inseto atinge a teia ela absorve a energia cinética. As outras duas geralmente são cristalinas, são bem pregueadas e resistem ao estiramento, além disso uma dessas regiões possui rigidez. Essas pregas das regiões cristalinas menos rígidas não só encaixam nas dos cristais rígidos, mas também interagem com áreas amorfas nas proteínas, assim ancoram os cristais rígidos à matriz.  Como consequência teremos um material tenaz, resistente e elástico, que são muito maiores ao compararmos com outros materiais naturais ou sintéticos, como vemos na tabela abaixo:
Tabela 1 – Comparação do tipo de material com seu respectivo módulo elástico, resistência e energia necessária para rompe-lo. Fonte
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Na fabricação das teias, a aranha cisalha a proteína ao mesmo tempo que realiza a extrusão dela das suas glândulas. Paralelamente há a expulsão de água, fazendo com que os fragmentos hidrofílicos se projetem para fora, que leva ao desdobramento de uma estrutura conhecida como barris. Por isso, ocorre uma mudança macroscópica na emulsão, assim leva a uma polimerização que gera os fios das teias com a sua enorme resistência mecânica.
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Espero que eu tenha tirado essa dúvida de vocês e para questões mais técnicas, seguem os links das fontes que eu utilizei abaixo!
Fontes:
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