O que caranguejos e biomateriais tem a ver?

Biomateriais é um tema muito importante e hoje falaremos sobre mais uma inovação dessa área. Uma pesquisa, publicada no Science and Technology of Advanced Materials pesquisou a combinação de um açúcar, proveniente de conchas de caranguejos e camarões, com nanomateriais pode gerar um material compósito com aplicações biomédicas, como regeneração óssea.

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O açúcar presente nessas conchas se chama Chitosan e ele é antibacteriano, analgésico, biodegradável, antifúngico, hemostático e biocampatível. Dessa forma, ele é um ótimo candidato para inúmeras aplicações médicas, porém é fato que a resistência mecânica no material é limitada.

Com o intuito de desenvolver enxertos ósseos, os cientistas combinaram vidro bioativo com o Chitosan. O vidro bioativo é uma cerâmica vítrea que é um biomaterial e liga-se bem a estruturas fisiológicas, assim como o osso.

Como resultado da pesquisa, as células óssea demonstraram relativamente um rápido crescimento no material feito com o vidro bioativo e com o Chitosan. Também há a possibilidade de combinar o açúcar com o óxido de grafeno e usar como drug deliver ou materiais transportadores de medicamentos (já falamos sobre esses materiais aqui, lembra?).

Outra pesquisa combina o Chitosan com nanopartículas de prata, criando um compósito com propriedades antibacterianas. Ainda mais, se for combinado as partículas de prata, com hemoglobina, com Chitosan e com grafeno, pode ser desenvolvidos biosensores que detectam peróxido de hidrogênio, um produto perigoso que deriva de alguns processos industriais.

São muitas aplicações, certo? Porém, como todos os outros materiais, esses compósitos ainda precisam de muita pesquisa. Um problema encontrado foi a dificuldade de dispersão dos aditivos quando se tem uma matriz de Chitosan. Além disso, precisa-se estudar mais sobre como esses materiais vão interagir com o nosso corpo e se eles podem ser esterilizados por métodos convencionais.

Referências:
Duarte Moura et al. Chitosan nanocomposites based on distinct inorganic fillers for biomedical applications, Science and Technology of Advanced Materials (2016). DOI: 10.1080/14686996.2016.1229104

One thought on “O que caranguejos e biomateriais tem a ver?”

  1. Interessante e animador em termos de perspectivas futuras contudo ainda temos um longo caminho até desenvolver processos que permitam a obtenção desses componentes a custos compatíveis com o mercado
    O Grafeno é um deles

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