Alumínio tem problemas com corrosão?

Provavelmente você nunca olhou realmente para um pedaço de alumínio. Isso porque o material é extremamente reativo e, em contato com o ar, reage instantaneamente formando uma película de óxido sobre sua superfície. Isto é o que você de fato vê. No entanto, apesar de extremamente reativo, o alumínio apresenta uma elevada resistência à corrosão devido a um fenômeno chamado passivação. Basicamente, o alumínio fica mais nobre (menor atividade) por ação desta película óxida, que tem uma boa aderência à superfície e acaba impedindo que um volume maior do material seja corroído.  No entanto, se engana quem acha que a passivação torna o alumínio imune à corrosão. Veremos hoje diversas situações em que a mesma pode ocorrer.

Corrosão galvânica:

É a situação que mais provoca corrosão no alumínio e suas ligas. Em uma reação de oxirredução, o metal mais nobre reduz e o menos, oxida. Em outras palavras, sofre corrosão o metal menos nobre. Assim, apesar de o óxido diminuir a propensão do alumínio à corrosão, ainda existem metais que serão mais nobres do que alumínio passivado. Caso em contato com algum desses materiais, diretamente ou por meio de algum eletrólito, o alumínio sofrerá, portanto, corrosão galvânica.

Corrosão uniforme:

Ocorre na presença de soluções com pH extremos, isto é, muito elevados ou muito baixos. Nesses casos, o óxido que reveste o alumínio torna-se instável, perdendo sua eficiência protetiva. Para o alumínio, espera-se que esse tipo de corrosão aconteça em meios com pH acima de 9 ou abaixo de 3.

Corrosão por pitting:

Quando em contato com eletrólitos com íons cloreto, o alumínio pode sofrer esse tipo de corrosão se estiver a um potencial acima de um valor limite conhecido como “potencial de pitting”. Nesse caso, ocorre um tipo de corrosão mais localizada e, portanto, de mais difícil detecção. Geralmente, a reação degradativa inicia-se em defeitos na superfície do material, tais como contornos de grão ou partículas de segunda fase.

Corrosão intergranular:

É mais comum nas ligas de alumínio do que no metal puro e consiste em um ataque seletivo dos contornos de grão ou regiões adjacentes devido a diferenças de potencial entre o grão e seus contornos, associada normalmente à presença concentração de elementos de liga na região. Um caso especial dessa corrosão dá-se após algum processo mecânico que envolva deformação severa da liga e em que não haja recristalização dos grãos. Nesse caso conhece-se o fenômeno corrosivo pelo nome de corrosão por exfoliação.

Corrosão por fadiga:

É um tipo de corrosão predominantemente transgranular. Para que esta aconteça, são necessários a presença de água e stress cíclico do material, estando normalmente associada a ambientes severos, tais como os que contêm íons cloreto (água do mar ou soluções salinas). Nesse caso, trincas de fadiga são formadas e propagadas rapidamente devido às condições do ambiente e do estado de tensões no material.

Corrosão microbiológica:

Trata-se de quando a corrosão é causada ou agravada por microorganismos. Nesse caso, procura-se aumentar a esterilidade do meio que circunda o material, eliminando esses seres vivos. Para isso, recorre-se até mesmo a pesticidas.

Os processos corrosivos mencionados são ilustrados abaixo. Apesar de serem exemplos recorrentes, não são os únicos responsáveis pela corrosão do alumínio.

CORROSION

Tipos de corrosão: A) por fadiga, B) Uniforme, C) por esfoliação, D) por pitting, E) galvânica, F) microbiológica

Quer saber mais sobre corrosão? Indicamos os seguintes links:

Por que os metais sofrem corrosão?

Conversa com engenheiro: Matheus Biava (Doris Engenharia)

Fontes:

Corrosion of Aluminum and Its Alloys: Forms of Corrosion;

Amtec Guide to Aluminium & Aluminium Alloy Corrosion;

The amazing rusting aluminum: Rust can hold an airplane together or dissolve it to bits;

Microbiologically Influenced Corrosion (MIC);

Laboratory Study of Corrosion Effect of Dimethyl-Mercury on Natural Gas Processing Equipment;

Interesting Failures

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