Já conhece os polímeros que mudam de cor com a temperatura?

É cada vez mais comum e mais acessível a utilização em nosso cotidiano de materiais que sofrem uma alteração de cor estimulada por fatores externos, nos proporcionando conforto, aumentando a confiabilidade de produtos, melhorando aspectos estéticos ou mesmo a segurança de  componentes que compramos, etc.  Os materiais desta classe podem ser influenciados pela aplicação de pressão (piezocromismo), voltagem (eletrocromismo, lembram dos vidros que protegem os olhos de motoristas contra luz alta de faróis?), luz (fotocromismo) ou temperatura (termocromismo). O último desses fatores será o tema de nossa publicação de hoje:  termocromismo em polímeros!

termocromismo

Fonte: Diseño de Interiores.

Os polímeros termocrômicos nem sempre apresentam esta propriedade quando se encontram em seus estados naturais, algumas vezes essa característica é proveniente da interação deste material com aditivos. Sendo assim, a origem do termocromismo pode ser proveniente de três fatores, culminando em três classes de materiais: A primeira delas representa os polímeros que possuem intrinsecamente a característica de variação da coloração com a temperatura. A segunda, é aquela em que esta propriedade é proveniente dos pigmentos termocrômicos adicionados ao polímero, e não propriamente deste material. Por fim, a terceira classe apresenta característica termocrômica proveniente de uma interação físico-quimica entre matriz polimérica e aditivos, fazendo com que as propriedades termocrômicas sejam causadas pelo design do material , pois nenhuma destas substâncias apresenta o efeito separadamente.

Os aditivos mais comumente utilizados para conferir termocromismo a uma matriz polimérica são os corantes leucos. Estas substâncias normalmente são coloridas no estado sólido e incolores no estado líquido. Em outras palavras, sua cor é dependente da temperatura, tornando o aditivo uma substância termocrômica. O uso deste tipo de aditivo, no entanto, apresenta problemas de rápido envelhecimento, provocando um desbotamento da cor e limitando o tempo de vida do produto. Além disso, grande parte dos sistemas com corantes leucos pode conter bisfenol A, derivados de diazapentaleno, polidiacetilenos ou politiofenos, substâncias tóxicas que impedem a aplicação dos produtos nas áreas da saúde e alimentícia. Assim, por razão de grande parte dos materiais termocrômicos conhecidos ser tóxico ou carcinogênico, busca-se cada vez mais a pesquisa e o desenvolvimento de polímeros pertencentes à terceira classe, na qual a alteração de cor é efeito da interação entre duas substâncias não termocrômicas.  Não serão abordados os mecanismos de fabricação destes materiais devido à variedade de interações existentes e a complexidade das mesmas, mas basicamente as espessuras entre camadas compostas por diferentes materiais, distância entre partículas e também o índice de refração de cada componente são fatores que alteram a cor refletida, observada pelo olho humano. Assim, são utilizados artifícios para que estes fatores dependam da temperatura e consequentemente a cor do material também seja função da temperatura.

Em 2013, os alemães Seeboth, Lötzsch e Ruhmann descobriram que o uso de antocianidinas, substâncias naturais responsáveis pela coloração de diversas flores e frutos, poderia alcançar pela primeira vez efeitos termocrômicos sem o uso de substâncias tóxicas e carcinogênicas como aditivos termocrômicos. Como pode ser observado, o termocromismo é uma área que vem progredindo bastante nas últimas décadas. Parte dessa dedicação é estimulada por todas as aplicações que este tipo de material pode ter, como pulseiras que mudam de cor, indicando febre em humanos (principalmente em bebês, os quais são mais vulneráveis); embalagem de alimentos, indicando ao consumidor se aquele produto foi mantido em condições adequadas de temperatura para que seu consumo seja confiável; Revestimento para bolsas de sangue, informando se o mesmo foi mantido em condições de temperatura adequadas para sua conservação; Aplicações na indústria de tintas, comésticos e tecidos devido aos interessantes aspectos estéticos; Fabricação de brinquedos que mudam de cor, prendendo a atenção dos pequenos;  Usos em sistemas de segurança residenciais, utilizando como princípio alterações de temperatura.

Polímero que apresenta termocromismo.

Tendo em vista o avanço das últimas décadas de estudos, poderemos em breve ver diversos produtos com polímeros termocrômicos em nossas prateleiras.

Referências:

SEEBOTH, A.; LÖTZSCH, D.; RUHMANN,R.; MUEHLING, O. Thermochromic Polymers – Function by Design, Chemical Reviews, 2014, 114, 5, 3037;

SEEBOTH, A.; LÖTZSCH, D.; RUHMANN,R. First example of a non-toxic thermochromic polymer material – based on a novel mechanism. J. Mater. Chem. C, 2013, 1, 2811;

Investigadores portugueses desenvolvem pulseira para detectar febre em bebês;

Tinta Termocrômica;

Têxteis Inteligentes.

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