Concreto à prova de terremotos

A construção civil envolve muitas vezes projetos estruturais detalhados e cálculos complexos para que uma determinada obra possa ser viabilizada e para que a construção tenha a durabilidade planejada. Podem ocorrer, no entanto, fenômenos da natureza que venham a destruir determinada construção antes do seu tempo de vida previsto, como é o caso dos terremotos. Esse tipo de falha prematura gera não somente impactos financeiros, como também pode levar a morte de muitas pessoas. Não se pode impedir o acontecimento um evento natural de tal dimensão, mas que tal produzir um material que seja preparado para lidar com os efeitos do terremoto? Foi o que fez a equipe da University of British Columbia, que desenvolveu um concreto antiterremoto.

O produto, chamado de EDCC, consiste de polímero e cinzas volantes, material proveniente das poeiras geradas na queima de carvão em termoelétricas. Enquanto o concreto tradicional é frágil, sendo vulnerável às tensões geradas durante abalos sísmicos, o EDCC é dúctil como nenhum outro material de construção, apresentando menor tendência em quebrar durante um evento do gênero. Essa ductilidade é proveniente das fibras poliméricas utilizadas em sua composição, assim como sua elevada resistência. Uma simulação comparando paredes construídas a partir de ambos os materiais de construção sob um terremoto de magnitude 9 na escala Richter mostrou que o EDCC resistiu ao evento, enquanto o concreto tradicional colapsou a uma intensidade de 65% da alcançada pelo terremoto simulado.

Simulação de abalos sísmicos em progresso. Fonte: UBC

Mesmo para países como o Brasil, que não sofrem com abalos sísmicos de grande intensidade, o concreto desenvolvido apresenta vantagens importantes. A produção de concreto, como já vimos, é extremamente danosa ao meio ambiente, já que requer a utilização de cimento. Para cada quilo de cimento produzido, aproximadamente um quilo de gás carbônico é produzido também. Devido a isso, a indústria cimentícia é responsável por 7% das emissões globais de gases estufa. O novo material permite substituir cerca de 70% do cimento empregado em uma construção por cinzas volantes. Assim, além de diminuir a emissão de gás carbônico, valoriza e dá destino também a um resíduo, já que as cinzas volantes seriam produzidas de qualquer forma durante o funcionamento das usinas termoelétricas.

EDCC não é só um protótipo ou material de laboratório – ele já está sendo aplicado no Canadá, país em que foi descoberto. Em breve, planeja-se utilizá-lo também em áreas com grande presença de abalos sísmicos, tais como o norte da Índia.

Fonte: Interesting Engineering

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